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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O almoço em Peniche, organizado pelo Henrique

O Henrique

Amigos!Nunca o significado de: “Mais vale um pássaro na mão que dois a voar” se aplica tão bem neste caso que agora passo a narrar. Ontem de dia 8, fui encontrar-me com alguns amigos de armas dos tempos da guerra colonial que prestaram serviço em TITE-Guiné-Bissau. O encontro foi na linda cidade piscatória de Peniche. O anfitrião como não podia deixar de ser é o Henrique. Este amigo nado e criado nesta linda Cidade, recebeu-nos com toda a cortesia e amizade de mais de 40 anos no colo das suas gentes.Depois de um belo repasto, onde meteu sardinhas assadas na brasa, diga-se de passagem estavam uma delícia. Eu falo por experiência própria não fosse um “Vareiro” também nado e criado em Ovar. Já agora vejam este vídeo que fiz de umas fotos de minha autoria dos anos 80 na “minha” praia do Furadouro:


Sobre o repasto deixo para o Pica pois ele sabe bem descrever e com humor por vezes, o que se passou á volta da mesa.De regresso ao centro de Peniche, o Henrique falou que havia ali uma “tasquinha” que confeccionava uma das mais conhecidas especialidades de Peniche, os “S” doce típico da região. Lá chegados e perguntando á comerciante se tinha os famosos “S” logo disse que sim. Feito os pedidos pela rapaziada de umas tantas caixas, a senhora disse que o que havia não chegava mas, que ia arranjar mais. Para não ficarmos ali á espera, dissemos que ela preparasse uns tantos que mais tarde passaríamos por ali. Fomos dar uma espreitadela a outra confeitaria para adquirir os “amigos de Peniche” e demos com eles esgotados! Não desarmamos, sim porque de armas percebemos nós.

O Costa

Fomos a outra confeitaria e compramos os ditos “amigos de Peniche”. Pelo sim, pelo não, pedi á menina que colocasse dentro da caixa uns tantos “S”. E foi o que me valeu. Então de regresso á “tasquinha” para levantar a encomenda, cruzamo-nos com uns amigos do Henrique que vinham da direcção contrária á nossa com umas caixinhas de “S”. Na brincadeira até dissemos: Essas são as nossas caixas! Seguindo-se longas risadas de todos nós. Mas o último riso foi amarelo. Então na “tasquinha” estava a dita comerciante, nada simpática a confeccionar para ainda serem colocados no forno os “nossos S” pois aqueles que nos pertenciam e que tinham sido colocados de lado pra nós, os amigos do Henrique levaram! Daí, aquela máxima que a nossa comerciante colocou em prática. “Mais vale um pássaro na mão que dois a voar”.Resultado, não fosse eu ter pedido á menina de outro estabelecimento que me aviou os “amigos de Peniche” para colocar uns “S” misturados eu ainda hoje estaria augado!É caso para dizer: Que amiga (comerciante) de Peniche heim!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Costa trouxe-nos a memória de Otis Redding e de muitos outros/as


Este artigo do Costa trouxe-me à memória as musicas que por lá se ouviam, principalmente na cantina. Algumas delas às escondidas como era o caso da Pedra Filosofal (nunca entendi bem porque tinha que ser às escondidas, mas enfim...)
A Cantina do refeitório estava entregue salvo erro ao Noné. Seria?
Mas uma das canções que eu mais gostava era "The Dock of the bay", por Ottis Reding.
42 anos passados, aqui vai.

E os Procol harun, na canção preferida do Costa.

E já agora um presente extra - Nat King Cole/ "Fly me to the moon":

Obrigado Costa, por tão belas recordações musicais.

A Enfermaria em Tite - pelo Costa

Lembro-me perfeitamente desse episódio do camarada que ficou ferido com um estilhaço que lhe entrou ao fundo das costas. Este episódio sempre me acompanhou até hoje e passou-se em 02/03/1968. Na sequência desse ataque ao nosso quartel, ao ouvir os primeiros tiros do IN, protegi-me debaixo da mesa que havia no Centro de Mensagens. Como o fogo se intensificava e havia rebentamentos que não conseguia identificar,  se eram dentro ou fora do quartel, resolvi fugir dali e dirigir-me para  o abrigo à porta de armas. Na fuga, houve qualquer coisa que bateu numa antena que havia no edifício do Posto de Rádio do lado de fora em frente para a barbearia ou enfermaria, provocando várias faíscas. Apenas me recordo de me atirar ao chão, ferindo-me no braço esquerdo, coisa sem importância. Levantei-me, lembro-me que havia muitos gritos dos nossos homens nesse abrigo junto á porta de armas e  misturados com muitos tiros. Quando entrei no abrigo ás escuras, estava lá este nosso camarada a esvair-se em sangue deitado de bruços. Foi um momento que me marcou para sempre!
José Costa
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Do Joaquim Caldeira recebemos o seguinte comentário:
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"O soldado da CCAÇ 2314 a que se refere esta entrada era o Carlos Soares da Silva, alcunha o Matosinhos, por ser daquela localidade.
O outro ferido foi o soldado António Fernandes de Castro.
Este viria a protagonizar outro episódio, uns dias mais tarde. Num regresso de Nova Sintra, quando a coluna que eu comandava foi atacada, este solado, por estar sob o efeito do álcool, adormeceu junto a uma árvore e por lá ficou esquecido. A coluna retomou a marcha para Tite e, só muito mais tarde fui informado da sua falta. Andou perdido na mata durante dois dias e foi repescado por uma coluna da Companhia sediada em Nova Sintra, sendo enviado para Tite por helicóptero.
O seu comandante, sargento Garcia, deu-lhe um cantil de aguardente e foi o causador deste episódio. O punido, por ser o comandante da coluna, fui eu.- Como é possível um furriel comandar uma coluna em que seguia um sargento?-  No dia dois de Maio de 1968, dia dos meus anos, o capitão ofereceu-me uma lembrança e leu a ordem do dia com a minha punição, dois dias de detenção, que vim a cumprir na operação Bissássema.
Joaquim Caldeira, ex-furriel miliciano, CCAÇ 2314"

Fui ao sótão da memória e não só... pelo Costa


Porque digo: Fui ao “sótão” da memória e não só!Porque o Pica ao escrever uns emails sobre a música que se ouvia em Tite, (*) fez-me recordar os meus primeiros discos que comprei ao falecido Alferes José Antunes Carvalho, já em 2ª mão. Sim porque ele, não só fazia uns negociozitos lá pelas tabancas mas também pelo pessoal dele nas TMS. Este álbum com discos de 45 rpm não viam a luz do dia, talvez desde o início dos anos 70! Tenho um gira-discos guardado no mesmo sótão e vou um dia destes “curtir” ouvindo-os!Esse álbum de discos foi comprado a um colega em Tite mas, não me lembro quem foi.Nesse álbum vinham alguns discos a saber: ·         Procol Harum – A Whiter Shade of Pale (renvendi-o lá, não me lembro a quem)Os que ainda mantenho guardados desde então, (ver fotos das capas)quem se lembra destes sons em Tite? Recordem:·         Percy Sledge – Love me Tender – etc·         Manuel Freire – Livre (música: Não há machado que corte, a raiz ao pensamento etc) ou Pedro o Soldado·         Zeca Afonso – Fados de Coimbra (LP emprestei-o a alguém e ficou lá em Tite)·         The Mama’s & The Papa’s – Monday, Monday·         Trini Lopez – Unchain My Heart·         Sandie Shaw – Puppet on a String·         Fausto Papeti – (uns quatro discos que guardo ainda)Etc, etc! Talvez haja mais algum disco que por lá ficou emprestado. Sim, porque havia sempre alguém a pedir emprestado para os ouvir e ou gravar naqueles gravadores de fita pequeninos que apareciam naquela época de marca “TOSHIBA” e que custavam á volta de uns 4 contos. (*)A rádio que se fazia ouvir na Guiné era a RDP que só funcionava das 11 às 15 e das 18 às 22 horas. E a música era sempre a mesma, sendo que o que mais se ouvia era o Roberto Carlos várias vezes ao dia e por vezes na mesma carga horária.