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terça-feira, 8 de abril de 2014

8 de Abril de 1967 - a partida...


Tendo em conta o 46º aniversário, de alguns de nós, da viagem no Uige para a Guiné, não deixo de publicar um texto da minha autoria para aqueles, os mais novos, saibam como muito a passaram.
Um abraço XXL do Pica Sinos

A MINHA VIAGEM Á GUINÉ
A PARTIDA
Este parte,Aquele parte,
E todos,Todos se vão,
Oh terra ficas sem homens,
Que possam cortar o pão.

Corria o mês de Março de 1967, no Centro Cripto do Quartel-general (QG), em Lisboa, entre três cabos e dois sargentos, quis o destino, que fosse eu a decifrar a mensagem que ditava a minha mobilização para a Guiné, ficando incorporado no Batalhão de Artilharia 1914, composto por três Companhias Operacionais e uma de Comando e Serviços, já em trânsito no Regimento de Artilharia Costa (RAC), em Parede, Carcavelos.
Não me espantou! A situação era mais que previsível para os jovens militares da minha idade.

Dou a notícia em casa à minha mãe, à namorada, hoje minha mulher. Com o meu pai, na altura internado no Centro de Saúde do Telhal, despedi-me com um abraço e um beijo, sabendo que era incerto encontrá-lo de novo com vida, por mim, que parto para o incerto, ou por ele, tendo em conta a sua debilitada saúde.

Após o curto período de férias, a 7 de Abril de 1967, um dia antes do embarque, já no quartel em Parede, entre dezenas de militares, procuro o op. cripto Justo, companheiro das noites de Lisboa, também ele mobilizado, na Companhia de Comando no mesmo Batalhão. Conheço o furriel de transmissões de nome Cavaleiro.
Aqui, além uma outra cara já conhecida. É-me indicado o Sargento a quem tenho que me apresentar.
…Onde andou rapaz? ….Não fez a instrução de aperfeiçoamento operacional (IAO), devia cá estar há um mês…!
Pergunte no QG….(Quartel General), foi a minha resposta.

Depois, foi arrumar na bagagem o camuflado distribuído e sair para jantar.Dia 8 de Abril de 1967, no cais de Alcântara, em Lisboa, despeço-me da família que me acompanhou ao embarque. Segue-se a formatura. Um emproado oficial superior e sua comitiva fazem a revista da praxe, o embarque das tropas sucede-lhe. Ao som da fanfarra militar e do acenar dos lenços, o paquete Uíge largou amarras. A Torre de Belém fica para trás, a ponte sobre o Tejo já não se vê, a terra é coisa sumida, os olhos há muito que estão rasos de água.
Tive a sorte de não ser colocado nos lugares do navio que outrora eram destinados às cargas. O meu camarote suportava oito beliches duplos. Não tive preferência da cama, uma qualquer me serviu para descansar e dormir.
As refeições foram tomadas em refeitórios, outrora salas de jantar para passageiros em 3ª classe.
Os lugares destinados às outras praças, os porões, eram degradantes. As mesas de madeira que tinham lotação para uma vintena de militares, estavam colocadas ao comprimento dos porões. Os beliches, também em madeira, acompanhava-os na altura. Os vomitados do enjoo eram constantes, a limpeza deveras precária, que, em conjunto com a falta do banho diário, o cheiro era nauseante, asfixiante. O barulho dos motores, etc., o ambiente naqueles locais era insuportável.

Durante os oito dias (mais três que o normal por avaria num dos motores) que a viagem durou, foi neste contexto que, os jovens militares, fizeram a sua vida no navio.
Inconformados com o destino, no convés, uns passeavam, outros conversavam e, ainda outros, jogavam ou viam jogar às cartas.
Uma ou duas vezes fizemos exercícios de salvamento em caso de naufrágio. Os peixes voadores, que, quase sempre acompanharam o barco, eram também motivo de entretenimento.

No dia 14 do mesmo mês, chegamos já noite alta e, amedrontados, ao destino para o qual fomos obrigatoriamente mobilizados. O pior estava para vir……a guerra.
Aqui o sofrimento a todos tocou!
______________
Natércia Guedes Leite, escreveu: 
"bem haja quem honra todos os que por lá andaram...é uma forma tambem de homenagear os que lá deixaram a vida ainda que regressassem sem ela, sem o tal camuflado, mas "empacotados em madeira"sabe-se la como....

a imagem da partida do barco,as lagrimas e os lenços a acenar, tenho-os bem presentes e ate em fotos que qualquer dia coloco aqui se o meu irmao Leandro nao se importar...é a imagem mais marcante daquela partida - mulheres e mulheres no cais, ora como maes, ora como esposas,companheiras,irmas,amigas...crianças ao colo, em abraços infindáveis de dor, de interrogaçoes ,de saudade....... e o barco desaparece, os lenços baixam e os olhos continuam humedecidos...os milhares de passos sao dados em silencio,com todos mas todos a viver a mesma dor...os homens naquela altura, diziam que nao choravam...mentira!!!!,choravam e bem...então os avôs, os Pais,os irmaos... mas regressar ao Porto e ter de responder as mil perguntas dos meus pais....talvez tivesse sido o pior, sobretudo às da minha Mae...como é que o teu irmao estava??estava triste??chorou??achas que foi preocupado??iria com medo??oxalá nao faça nenhuma loucura...achas ,,,tens a certeza que embarcou??ai que se ele foge é uma desgraça...e lá estive a relatar, a contornar, a fingir...a fazer de conta que nao percebia - e a minha avó ja com perto dos 80 anos, no silencio das lagrimas que escorriam para o seu colo,rezava e só dizia que nao morreria antes do regresso do neto...e assim foi realmente - creio que o regresso foi em Fevº de 69 e em Julho ela partiu para sempre...a seu lado estava o neto que durante aquele periodo de doença, comigo fez parceria para de noite partilharmos a vigia,de modo a que a minha mae descansasse e assegurasse durante o dia,uma vez que já ambos trabalhavamos...e assim foi com este e muitos mais episodios....um abraço a todos,em especial ao meu irmao claro - isto nao é saudosismo - mas a historia faz-se de factos,e factos só sabe que os vive por perto ou um pouco à distancia - os inventados são pura f i c ç ã o....

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Isto é a sério...

O Pica Sinos enviou, da sua amiga Paula Correia.



“Queridos amigos , tenho varias toneladas de pêra Rocha ainda nas arvores , não posso entregar na FrutaOeste porque o calibre só ronda 50/55 e é muito pequena e não pagam nada tendo de pagar ainda 10 cêntimos pelo frio .
Por isso venham a Quinta do Infesto - Carvalhal - Torres Vedras e podem desfrutar de ar puro trazendo filhos e netos .
Durante esta semana podem colher a pêra , e acreditem que se me derem 0,25 cêntimos o Kilo ainda vos ofereço uns kilitos de borla .
 Como não gosto de ilegalidades passo factura . Amigos , se não for pedir demais solicitava a vossa partilha .
Muito obrigado a todos .
Paula Correia

Tm 962614686”

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Parabens ao Marinho!

 
Ao nosso companheiro Marinho enviamos um forte abraço de Parabens, neste dia do seu aniversário, com votos de boa saúde.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Apêlo!

Boa tarde,

Tudo bem?
Vi seu blog e gostaria de saber se pode me ajudar.

Minha mãe nasceu na cidade de Bolama - Guine Bissau - em 1940.
No ano de 1948 veio para o Brasil com minha avó Julia. Porem meu avô Francisco Mendes Figuereido - que na epoca ( 1940 a 1948 mais ou menos) era governador ou administrador de Bolama ficou na Guine onde constituiu nova familia.
Meu nome é Susan, tenho 32 anos e sou do Brasil. Gostaria de saber se tem informaçoes sobre Francisco Mendes Figueiredo ( meu avô)...qualquer infomação...foto...familiares, conhecidos...ficariamos muito agradecidos..
Minha mae tem hoje 71 anos de idade e nunca sequer viu a foto de seu pai.

Agradeço desde ja

Susan Cristina Figueiredo de Paiva

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dia mundial contra o cancro

Companheiros, amigos, familiares e visitantes
Neste dia mundial contra a doença, venho lembrar a irmã, o sobrinho,o cunhado,  a prima, um amigo e mais outro amigo que ontem mesmo me disse também ter entrado nesta "familia" que infelizmente não pára de crescer...
Para todos eles os votos de rápidas melhoras e que tenham a certeza que todos nós puxamos por eles e acreditamos que vão vencer!.
Abraços e beijos para eles.
LG.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ser ex-combatente das ex-colónias. Pelo Joaquim Caldeira

Ser ex-combatente das ex-colónias
Ao ler notícias de ex-combatentes nas ex-colónias que, por terem sido feitos prisioneiros de guerra, deixarem de ter direitos a pensões e ou subvenções, estando-lhes a ser contado o tempo efectivo de combate e só, não pude deixar de sentir raiva.
E quero ajudar a denunciar, o melhor que puder, esta situação injusta em comparação com as chorudas subvenções vitalícias pagas a ex-deputados e outros fiéis servidores.
Tal como vós, também fui recompensado com a lei Paulo Portas, passando a ser abonado em cerca de 150€ que foram diminuindo para 115€, estando agora em cerca de 58€.
Só por chincalhice. Para os desgraçados, combatentes que tanto deram àquela pátria que era nossa, não há verbas para os deixar viver e morrer com alguma dignidade. Limitam-se a sobreviver com a pensão que, por especial favor, lhe foi concedida pela benevolência de alguma assistente social, vindo a ser, mais tarde aplicada a esmola P.P.
E, se olharmos à nossa volta, temos exemplos de pessoas cuja infância foi pobre e, volvidos poucos anos, por magia, ficaram tão ricos que são uma obscenidade. Mas continuam a ter direito a subvenções vitalícias de valor mensal igual ou superior ao que um comum mortal auferirá num ano. Mas há casos ainda mais gritantes.
Ai, Portugal! Ao que foi possível chegares. Que grandes desigualdades, que injustiças e quantos roubos a coberto da legalidade.
Mas não haverá mais quem veja e denuncie, para além do Bastonário da Ordem dos Advogados?
Será que algum dia viveremos em democracia? Estou certo de que sim. Mas há muito para fazer.
Companheiros; Denunciem todas as situações de fraude, roubo ou injustiça de que tiverem conhecimento.
Havemos de abafá-los e vencer.
Joaquim Caldeira

As nossas elites falharam... pelo Dr. Marinho e Pinto

Companheiros
Como nem só de Tropa vive o homem, publicamos a seguir um video que nos foi enviado pelo nosso amigo Joaquim Caldeira, e que se refere a um discurso muito oportuno do Bastonário da Ordem dos Advogados, na abertura do ano judicial de 2011. Vale a pena ver, ouvir....

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Carta aberta de El-Rei D.Carlos ao então Primeiro Ministro, em 1892

Grande exemplo!
Enviado por Joaquim Caldeira

Mais um Sapador encontrado, desta vez pelo Contige

“…Mais uma vez,  a minha última sortida, a sul, teve, apenas, intuitos altruístas.
O de saber do estado de saúde, felizmente já bom, do Reguila e de chegar à fala com mais um companheiro sapador, o Mário Soares Sereno. O Contige ficou com o seu contacto e ficou de aparecer no próximo almoço, de arromba, a confiar nos seus 5 ou 6 laboriosos organizadores . . .”

Este, quem o localizou foi o Contige. Fomos três falar com ele: o Contige, o Reguila e eu.
E ficou de obter o endereço de outro sapador, um tal Ribeiro, que é seu conterrâneo e reside lá para os lados de Tomar.
Abraço
Hipólito

O contacto do Sereno, para quem quiser:
Tel. 214064009

Começou a recuperação possivel de alguns artigos. E este vale a pena...

Até pode ser que cole, como desculpa.
Atarefado e derreado a tentar ensinar as boas maneiras ao canito, o kiper, que me tocou em rifa.
Mas, reguila e travesso, faz jus à sua origem marrocânea.
Tanto insisto com o “gajo” que, às tantas, aparece de patas ao ar e a ganir
- Caim, caim, caim . . .
- Que foi ?! . . . intervém a sua defensora oficiosa e minha consorte.
- Nada . . . nada. Foi este morcon que vinha na “mecha” e “escarchou” a “fuça” na biqueira do meu sapato . . .
Não aprende, mesmo!  Desisto . . . e vou, mas é, rabiscar uns comentários, já atrasadotes, como gasta a casa.

Estava a ver que não saía a reportagem do correspondente da BBC (Bocas & Broncas Criptólogas), em Londres.
Sua majestade, amiga de longa data, desde o curso de costura que frequentámos, está, também há muito, ciente de que, os “arremelados”, em versão soft, das TRMS (diminutivo de “T’ramelas”, por que eram, e continuam, conhecidos, os do sul), não valerão as “quilhapas dum gato”.

A  foto do ósculo apaixonado saiu “tremida” por obtida de “biscolêta”, em andamento. Uma daquelas em que aqui, no norte, mal desmamados, já “afanávamos” ao pai e, só no pedal, “tchic . . . tchic” . . . até ao mais que provável trambolhão, raspanete, quando não sova, do dono.
Obtido algum equilíbrio, perna para debaixo do quadro e toca a burra, sujando, na corrente oleada, as calças ou, na falta delas, a perna, com os trambolhões da ordem, o raspanete e sova, agora da mãe.
Até que, já espigadotes, zupa, alçando a perna, pr’a cima da bíscola, até rasgar o traseiro das calças ou calções, igualmente com as consequências já descritas e agora de ambos os progenitores.

Muito ao contrário das “bicicretas” do Campo Grande, de senhora e com o cestinho na  frente, à mariconhês, para ir, à venda, mercar fósf’ros pr’á titi.

Mais uma vez,  a minha última sortida, a sul, teve, apenas, intuitos altruístas.
O de saber do estado de saúde, felizmente já bom, do Reguila e de chegar à fala com mais um companheiro sapador, o Mário Soares Sereno. O Contige ficou com o seu contacto e ficou de aparecer no próximo almoço, de arromba, a confiar nos seus 5 ou 6 laboriosos organizadores . . .

E não, como os que, antevendo, tão-só, tirar a barriga de misérias, se previnem com suspensórios a segurar as pantalonas, ou  com “cintinho à lady Gaga” , para disfarce da “quadratura do círculo estomacal”  . . .

E, fico em dia  . . . e mais que desculpado, digo eu.
Hipólito

UMA VERGONHA NACIONAL - Do Blog "COISAS DA GUINÉ" com a devida vénia

«O José António é natural do Peso da Régua, em Junho de 1971 assentou praça no RI 13 Vila Real, três meses depois foi colocado em Abrantes integrado na 2ª. Companhia do Batalhão 4518 e em 24 de Dezembro partiu para a Guiné.
A sua Companhia foi destacada para Cancolim dela faziam parte um Alferes natural de Lamego, que me disseram ser actualmente professor, e que não consegui ainda contactar, o Alferes João Pacheco Miranda, actualmente correspondente da RTP no Brasil.
Em Junho de 1971 foi feito prisioneiro pelo PAIGC, foi levado para Conacry donde em 1973 após o assasinato de Amilcar Cabral foi enviado para uma zona libertada na Guiné Bissau, Madina do Boé. Eram seus companheiros de cativeiro o nosso "morto/vivo" António Silva Batista de Gaia, Manuel Vidal de Castelo de Neiva, Duarte Dias Fortunato do Pombal, António Teixeira da Lixa, Mauel Fernando Magalhães Vieira Coelho do Porto, Virgilio Silva Vilar de Vila da Feira e Jacinto Gomes de Viseu.

Durante quase um ano a sua casa foi em Madina do Boé de onde em 7 de Março de 1974, aproveitando um momento em que a vigilânçia abrandou, se dirigiu na direcção do Rio Corubal para tentar a fuga. Andou 9 dias ao longo Rio, até encontrar dois nativos que andavam numa plantação junto ao rio. Um deles de motorizada levou o José António até ao Saltinho. Depois foi transportado para Aldeia Formosa, para ser levado para Bissau. Como naquele tempos díficeis a via aerea já não reunia muias condições de segurança devido aos Stellas, foi transportado em coluna até Buba e dai de LDG para Bissau. Apesar de ser meu conterraneo, na altura não o reconheci, e tal me foi comunicado pelo Cabo do SPM de Aldeia Formosa Camilo também natural da Régua.
Após o regresso em Agosto de 1974, procurei saber da sua situação. Levava uma vida muito complicada, pois se tornou pouco sociável (como muitos de nós), mas não teve uma rectaguarda ou seja um suporte familar que o protegesse e os conflitos eram frequentes. Internado várias vezes, de onde fugia sempre que podia (tornou-se um hábito), foi mais tarde colocado numa casa de acolhimento onde agora vive melhor e é bem tratado. Porém sobrevive com uma pensão de incapacidade de apenas 246 €, o que de facto é insuficiente, para o seu sustento e agora aproveito para agradecer publicamente à familia que o recolheu especialmente à D. Juvelinda que com tanto carinho o trata.
Mas por incrível que pareça, até do miserável suplemento especial de pensão que anualmente é atribuido a antigos combatentes (150 € ano) apenas recebe 75 €, pois como foi capturado com apenas 7 meses de Guiné, o tempo que passou quase 3 anos como prisioneiro não foi considerado!!!  A propósito deste SEP p/Antigos Combatentes, eu propunha que tal verba fosse prescindida por todos aqueles que tem uma reforma acima de determinada importância em favor daqueles ex-combtentes com reformas inferiores ao salário mínimo. Isto para fazer sentir a quem nos governa, que tal esmola nos envergonha e que temos um sentido de solidariedade muito diferente dos políticos que nos têm governado.
Um abraço a todos.
»
José Manuel Lopes

A crise também chegou ao nosso Blog - enquanto ela não se resolve, vamos parar dez minutos para ver e ouvir esta bela interpretação...




domingo, 23 de outubro de 2011

Bronca no blog


Caros amigos e visitantes
Algo de anormal se passa com o nosso blog.
Perderam-se várias mensagens e comentários, desde o dia 1 de Outubro de 2011, além de ser dificil para alguns de nós fazer comentários..
Estamos a pensar seriamente em regressar ao blog antigo, encerrando este novo.
Entretanto daremos noticias
Abraços.
LG

sábado, 1 de outubro de 2011

O DIA DO IDOSO

Hoje dia 1 de Outubro é odia internacional do idoso. Vejam lá....
Para assinalar este dia o Pica enviou-nos este texto, que publicamos com a devida vénia ao Jornal Publico e ao autor.

Memórias da juventude, pelo Pica Sinos

OS MENIMOS DO MEU BAIRRO
SABIAM ANDAR DE BICICLETA--IÔÔH
Era vermo-nos vaidosos e felizes por termos, mais uma vez, a oportunidade de andar de bicicleta. A alegria foi de tal forma que não deu para verificar que as horas passaram mais depressa.
Não sei se ainda existe, no Campo Grande (Lisboa), o espaço que era dedicado à rapaziada da minha geração visando ou proporcionando a aprendizagem e o uso das bicicletas. Assim como, não sei se ainda existe um outro espaço contínuo, reservado a mais velhos com vistas a aprender ou praticar o uso de motociclos.
Lembro que as bicicletas, na maior parte, eram velhas e apenas com um travão na roda traseira. Excepção para as que eram consideradas de corrida.
Os motociclos eram da marca Famel (entre outras marcas), predominando a pintura de cor prateada. Só eram cedidos a quem tivesse mais de 15 anos e deixasse como garantia o bilhete de identidade.
O aluguer das bicicletas, tinham, quando eu menino, valor diverso em função do modelo e do tempo de utilização. Alugar uma pequena bicicleta, no tempo de uma hora, pagava-se então 5 escudos. O aluguer das “aceleras” era bem mais caro. Que inveja e tristeza me faziam os “motoqueiros”, quando da sua passagem bem barulhenta.
O meu salário quando comecei a trabalhar, aos 11 anos, era cerca 2$50 por dia, dinheiro que no final da semana era entregue à minha mãe.
Como podia ter dinheiro para alugar, por uma hora, a bicicleta que tanto cobiçava?
Não era fácil. Só possível se juntado aos tostões das gorjetas, o dia de salário que minha mãe me dava, e ainda um ou outro centavo do troco que rapinava quando ia aos recados.
 No meu Bairro das Furnas, a esmagadora maioria dos moradores era de condição pobre. Nós, miúdos, brincávamos com os brinquedos que fabricávamos. Éramos muitos solidários. Facilmente trocávamos os brinquedos, os nossos carros de esferas. A bola de catechu que tinha saído nos “bonecos da bola”, era emprestada a todos quando em desafios. Cedíamos os bilhetes do eléctrico/autocarro repetidos na colecção, por vezes em troca de nada. Quem não tinha bilas, peão ou caricas, não deixava de jogar.
Um dia, um menino com dinheiro suficiente para alugar, durante uma hora, as tão cobiçadas bicicletas do Campo Grande, pela tarde, resolveu por pés a caminho, não só no propósito de alugar uma, mas também decidido a traçar um percurso para longe da pista que lhe estava normalmente reservada.
A chegada do menino ao bairro, foi de festa para todos aqueles que o esperavam. E um a um, deram uma voltinha pelo meu velho bairro.
Era vermo-nos vaidosos e felizes por termos, mais uma vez, a oportunidade de andar de bicicleta. A alegria foi de tal forma que não deu para verificar que as horas passaram mais depressa.
Aflito, o menino, procurou saber por todos os “ciclistas”, se havia dinheiro suficiente para cobrir a despesa, que o tempo extra acumulou. Todos ficaram calados. Não havia!
Então o menino, sem qualquer rebuço, propõe:
Malta, vamos esperar que o dono das bicicletas as recolha e abandone o local.
Depois é só colocar a bicicleta no devido lugar e pirar.
Dito e feito. Já noite, perto da pista vazou-se um pneu da bicicleta e, os 2 ou 3 meninos da aventura, deixaram o velocípede encostado numa qualquer árvore das muitas existentes no Campo Grande. Obviamente, que o tempo extra da posse nunca foi pago, até porque a bicicleta  “avariou”.
Pica Sinos
Fotos Gloog
Notas à margem e não só.
Estas memórias surgiram na conversa com o Carlos Leite (Reguila) no recente almoço em que festejámos o aniversário do Palma.
Não sei bem porquê, vieram as bicicletas à ”baila”. E eu disse que um dia iria escrever sobre as bicicletas que se alugavam no Campo Grande e, uma aventura vivida em miúdo.
Dizendo o Carlos: Pica, como eu recordo esse tempo, e o Campo Grande.
Adiantando:
Eu comecei a trabalhar em Lisboa, aos 12 anos de idade, na antiga Cervejaria Peninsular, praticamente a troco do que comia. Esta cervejaria ficava no inicio do Campo Grande e na sua frente, em redor da estátua, avistava a toda a hora o Mário policia a alugar as motas.
Era ainda muito miúdo mas, enquanto não me sentei naquelas “burras” não descansei.
O Mário era uma maravilha de homem. Nunca me cobrou qualquer importância por eu dar umas voltinhas no recinto que ocupava.
Pica Sinos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Parabens ao Narciso



Segundo os nossos serviços de informação, o Narciso de Braga, faz hoje anos. Serão 66.

O NARCISO ESTÁ DE PARABENS
FELIZ ANIVERSÁRIO COMPANHEIRO

O nosso Narciso, em Tite, integrava o pessoal do reconhecimento e informação. É natural da capital minhota, Braga. Hoje, deve ser de nós o que tem mais netos tem – 5 – para o próximo Outubro vem mais um rapaz.

Casado, com uma linda mulher, também do norte, tem 4 filhos (2 rapazes e 2 raparigas), todos com formação superior. Dos netos 2 são meninos e 3 são meninas. O que vai nascer em Outubro próximo é um rapaz. Disse-o com voz forte.
Parabéns camarada. Que bonito e que alegria, (tu e a tua mulher) devem sentir verem toda esta família sentados à mesa. É certamente sempre uma festa!

O nosso Narciso, antes de ser mobilizado para aquela terra longínqua, trabalhava em Lisboa, mais propriamente em Algés, na profissão de entalhador, na bem conhecida firma Sousa Braga.

Regressado, 2/3 anos depois volta para Braga, e estabelece-se na área do mobiliário, onde chega a possuir 3 estabelecimentos.

OS AVÓS SÃO PAIS COM MAIS AÇÚCAR
Hoje, já reformado como a grande parte de nós, acompanha  amiúde os filhos e babado os netinhos, que reclama ser o campeão (em numero de netos) do pessoal da CCS do Bart 1914.

Aquele Abraço Narciso. Que contes muitos anos (com a demais família) com felicidade e saúde é o desejo de todos nós.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Justo agradece...

PARABENS, do Costa

Amigo Justo!

Olha para o que te havia de dar…  fazer anos. Não tinhas algo mais importante que somar mais um ano? Ainda se fosse fazer anos para diminui-los…
Bom, o melhor mesmo é que tu chegaste até aqui coisa que outros nossos camaradas não conseguiram… Mas para que continues assim com toda essa força de viver e somar mais uns bons pares de anos, aqui te deixo um conselho e uma reflexão.
Hoje é o teu aniversário e por isso aí vão uns conselhos: Sorri enquanto tens dentes, se alguém te chamar de velho, bate com a bengala e quando ele correr, tu atiras a tua dentadura nele ehehehehehe!!!!

Um forte abraço amigo Justo!
Costa
________________________
Grande Costa
Para ti em dobro os desejos amáveis.
Força e genica, quanto a mim QB...a coisa rola bem, quanto a atirar a dentadura...fazes lembrar aquela anedota já com barbas, do tipo que apostou com o amigo que conseguia dar dentadas em ambos os olhos???!!!
Feita a aposta o "rapazinho" tira um olho de vidro e zás, da-lhe uma dentada.
O amigo ficou danado...vá, agora e o outro???
O amigo não esta de modas, tira a dentadura e prega nova dentada do outro olho!!!!!

Vês que tudo na vida normalmente tem dupla utilidade.

ABRAÇOS
José Justo.

O aniversário do Justo.

Hoje é o dia do Aniversário do Justo
PARABENS CAMARADA
A melhor prenda que este ano tenho para te dar são estas breves palavras para que possa recordar de cenas passadas contigo em Tite e, que delas dou conhecimento aos demais que também contigo conviveram.  
Como sabem o Justo era meu companheiro na suite que ocupávamos em Tite.Passávamos noites a falar. Das cenas vividas na nossa querida Lisboa. Do Bairro Alto,da Escola Veiga Beirão e, das nossas “aventuras” nos bilhares do Rossio,no Cinema Condes, etc.
Ele adormecia sempre mais tarde e por vezes, como devem calcular ficava a falar “pró boneco”. Acordando-me quando em voz mais alta me dizia: A merda do “leon” apagou. O quarto está cheio de mosquitos, acende lá essa merda.
Mas das muitas cenas recordo; aquela quando tudo “zarpou” para Bissessema, na tentativa de recuperar os nossos três camaradas raptados e para reforço à companhia.
Ficamos (como se recordam)  uma vintena de homem no aquartelamento. Mal armados, mal municiados e  acagassados.Se o inimigo fosse para Tite em vez de se dirigir para Bissessema a captura era em muito maior numero. E é aqui que surge uma ideia genial do Justo e que eu não aprovei.
A janela do quarto do Centro Cripto ficava mesmo em frente e na direcção da porta-de-armas. A ideia do rapaz era montar uma “breda” nessa mesma janela.Dizendo ele: Olha Pica os gajos vão entrar pela porta-de-armas e nós daqui…pumba! Dizendo eu: Pois É. Os gajos são muito bem educados. Costumam entrar pela porta e se calhar hoje até limpam os pés. Em anexo a foto em que o Justo se inspirou.
Pica Sinos


Pica como recordei esta do "quem são eles".
Creio não me enganar que esse petisco foi nas casernas no alinhamento do edifício das tms onde os "Paras" se instalaram aquando daquela operação em grande.
Tenho a impressão que foi nesse ataque que eu e nosso Cavaleiro nos enfiamos debaixo da grossa mesa do CCp a bater o dente e sempre a espera de "uma" encomendada para nos.
Nunca mais esqueci esse ataque; O estrondo dos rebentamentos, a fumarada que se metia pelas janelas,os gritos do pessoal, o cheiro intenso a cordite...enfim foi um duro batismo de fogo.
Recordas aquela granada de morteiro deles, que rebentou junto da paliçada em frente ao CCp, cuja chapa ficou parecia renda de tantos estilhaços?
Enfim amigo, gostei de ler e ver o texto (la estou eu ao cantinho na foto de grupo com os velhinhos do batalhão que fomos render, e como os invejava).
Como sempre esta "rápido, preciso e conciso"...o lema da nossa especialidade, lembras-te.
Um queijo pra ti e continua a desbravar os terrenos desconhecidos!!!
José Justo.

Hoje é a vez do José Justo fazer anos

Parabens ao companheiro José Justo.
Que tudo te corra bem na vida, amigo e que tenhas saude, são os nossos votos sinceros.

Em jeito de comemoração, a seguir publicamos um texto do Pica que te é dedicado. E também uma musiquinha para te alegrar o coração.
Muitos Parabens por mais este aniversário.
LG.





Justo era um dos rapazolas, à volta dos 20 anos, como a esmagadora maioria dos que “residiam” em Tite. O posto era o de 1º Cabo. A função Operador de Cripto.
O Justo (o Zé das Osgas) era (é) um contador de histórias exímio. Forte a sua personalidade. Todos tinham por ele grande admiração. Recordo-me de bons momentos passados com este camarada.
A forma de estar do Justo “era não estar ali”, era como se estivesse a ter….sei lá (?) um sonho mau, um grande pesadelo. A cerveja, os cigarros que “comia”, os seus desenhos, os trabalhos manuais, as suas fantasias eram (são ainda hoje) o seu escape. Ou seja: ele estava-se nas tintas para o que lhe diziam. Contava religiosamente os dias que faltavam para o regresso, mas eu sei que….não era alheio às questões e aos problemas.

O Alferes (periquito) dava pelo nome de Vaz Pinto. Foi comandante do pelotão Daimler. Hoje infelizmente já não se encontra fisicamente entre nós.
Não embarcou connosco quando da formação do Batalhão em Lisboa, apresentou-se no quartel em Tite bem mais tarde, nos termos de/para rendição. (penso eu)
O Alferes, homem de cavalaria, formado na mais exigente disciplina militar, não podia admitir aos seus subordinados, fossem eles do pelotão Daimler ou quando na função de oficial de serviço, o uso da farda, mesmo de trabalho, estivesse em desacordo com o regulamento militar instituído.
O alferes, dada a sua pouca permanência no teatro da guerra, ainda não tinha tido tempo de se aperceber, que nós, os “velhinhos”, estávamos fartos de levar porrada. A “farda” que vestíamos era pobre em número de peças e nunca fora substituída. As botas estavam gastas; as camisas com os botões da cada cor; os colarinhos das ditas já só com as entretelas e mesmo estas rotas; os calções esburacados e calças feitas calções, etc. Levando a que muitos de nós mandássemos fazer calções e, não só, aos “alfaiates” muçulmanos que abancavam à porta do “branco”. Os calções eram feitos de pano reles e, não incorporavam resguardo ou suporte para segurar os “tins-tins”. Enfim uma coisa feita em três tempos, mas servia!
O Justo, por sistema não usava cuecas com o que quer que fosse e, no refeitório, numa tarde chuvosa, eu e o meu camarada almoçávamos em frente um ao outro, bem preocupados com as formigas de asa não fossem elas cair no prato, quando, o nosso Alferes, de bengali na mão, dizia….È você! Oh militar!

Como verifiquei que a chamada não era para mim, nada disse. Mas o Alferes não desistia…É você, não ouve? Oh militar!

Já muitos olhavam na direcção do Alferes e da nossa, mas…. O Justo nada! Até ao momento que o chamei a atenção dizendo…deve ser contigo!

É comigo? Disse o Justo… É….disse o Alferes!
Que se passa? Continua o Justo.
Isso que tem aí pendurado, diz o alferes apontando o bengali em direcção ás pernas. E acrescentando….não são propósitos de um militar.
Olha este! Diz o Justo, alto e bom som….onde quer ele que ponha os………. em cima da mesa? Uma gargalhada geral no refeitório não se fez esperar.
Dias depois, o Alferes Vaz Pinto percebeu o espírito de equipa que reinava em Tite. Que grande camarada ele foi.  

Raul Pica Sinos
 


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Raulao
Como não consigo comentar no post próprio (nao abre "comentarios) aqui vai uma pequena nota: Fiquei a admirar imenso o alferes Vaz Pinto, e era com ele e vários camaradas que estava a beber umas bazzokas (que foi buscar a messe de oficiais)naquela noite do ataque e que "empurrado" me enfiei na Daimler e vai de fazer fogo pela estrada Nova Sintra abaixo. Ja contei esta historia no Blog. Ele pertencia a uma família muito conhecida de excelentes tenistas portugueses na época. Grato pelos teus textos..e olha cá vai um forte aperto de ossos.
Um abraço para o amigo Santos Oliveira e tudo de bom p'ra ele.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"A minha guerra" - pelo Pica Sinos, no Correio da Manhã.

Fugi de morteiros a perguntar ‘quem são eles?’

Quando cheguei à Guiné-Bissau não sabia nada da guerra. Foram tempos muito duros, mas percebi que o nosso lugar não era ali.

No dia 7 de Abril de 1967, no Aquartelamento de Artilharia Costa na Parede (Cascais), teve lugar a formação e a entrega do guião ao Batalhão de Artilharia 1914, composto por três companhias operacionais e uma de comando e serviços. Embarcámos para a Guiné no dia seguinte. No cais de Alcântara despeço-me da família, que me acompanhou ao embarque. Ao som da fanfarra militar e do acenar dos lenços, o paquete ‘Uíge’ larga as amarras.

Chegámos à Guiné-Bissau a 14 do mesmo mês. À nossa esquerda, pelo lusco-fusco, avistámos a cidade – Bissau – cujo chão não tivemos o prazer de pisar. O desembarque para as lanchas aconteceu horas depois, não sabendo os jovens guerreiros o seu destino.

Chegámos já noite ao Enxudé, porto de mar situado a cerca de 10 quilómetros do quartel, onde esta nova Companhia de Comandos e Serviços viria a ficar situada. Fomos transportados e guardados por homens armados de semblante carregado e ‘velho’, mas com apenas mais dois anos de idade.

Uma hora depois chegámos a Tite, um dos principais aglomerados populacionais. Ficava no mato, a sul desta então província ultramarina, na região de Quinará. Tite foi a localidade onde, em Janeiro de 1963, Amílcar Cabral, fundador do PAIGC, principiou as acções de guerrilha contra as tropas portuguesas. Mas todos sabíamos que o pior estava para vir… a guerra.

FUGIR AOS MORTEIROS
Quando fui mobilizado, uma vez que não era operacional, não assisti a treinos de enquadramento, que duravam mais ou menos um mês. Ou seja, de aperfeiçoamento operacional só tinha a recruta, estando longe de imaginar o que ia encontrar.

A minha ignorância era tamanha que no primeiro ataque ao quartel que sofremos, a 19 de Julho de 1967, estava a comer um petisco ‘importado’ de Lisboa, perante o som dos morteiros a serem disparados, parecido com os das portas dos frigoríficos a fecharem-se. Vi os mais velhos a levantarem-se como se tivessem molas nos pés, deixando tudo para trás numa correria desenfreada, gritando "Aí estão eles!". Eu corri na peugada dos meus camaradas, mas não deixava de perguntar: "Quem são eles?".

Era o início do nosso calvário. Entre 14 de Abril 1967 e 3 de Março de 1969 sofremos 12 flagelações. Nesse período tivemos 16 mortos (dois deles por acidente) e 47 feridos.

O inimigo actuava na região de Tite com grande mobilidade, era conhecedor do terreno com pormenor. Estava organizado militar, política e administrativamente e com o apoio das populações, era forte, aguerrido e dispunha de um potencial de meios de guerra igual, se não superior, aos do Batalhão. Exercia também uma actividade importante no controlo das populações e na sua promoção social.

Um dia, na palhota da minha lavadeira, estava uma mulher que nunca antes avistara. Ao mostrar-lhe uma fotografia, onde estava com a minha namorada, perguntou-me fixando bem a minha face: "Qual é a razão da vossa presença neste país?" "Estamos aqui para vos defender", disse convicto. Não ficou satisfeita. Com os olhos rasos de água, retorquiu: "Já pensaste que se não vos mandassem para cá, não existia esta guerra, que os nossos rapazes não eram forçados a combater-vos, que os nossos haveres e produtos agrícolas não eram roubados, quer por uns quer por outros?". Esta conversa fez-me ‘ver’ o outro lado da moeda.

Regressámos a Lisboa na manhã de 9 de Março de 1969. Fomos recebidos com muita emoção por familiares e amigos e só então pudemos respirar fundo e dizer "já passou..."

PERFIL
Nome: Raul Pica Sinos
Comissão: Guiné (1967/69)
Força: Batalhão de Artilharia 1914
Actualidade: Reformado do sector da distribuição alimentar, vive em Corroios. Aos 65 anos, tem duas filhas e três netos
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Com a devida vénia ao Correio da Manhã, transcrevemos esta crónica escrita pelo nosso colega Pica Sinos e que veio inserida na revista DOMINGO, de 25 de Setembro de 2011.

sábado, 24 de setembro de 2011

Ajuda à Guiné-Bissau


Com a devida vénia ao jornal Badaladas, transcrevemos este artigo sobre Grupos de Ajuda à Guiné Bissau.
Quero aqui salientar os meus amigos Menta e Deodato, do Baleal/Bordinheira, que costumam fazer umas "férias" na Guiné Bissau, ensinando nas escolas ou ajudando nas várias enfermarias espalhadas pela Guiné.
Se alguém estiver interessado em partilhar conhecimentos e atenções com os habitantes da Guiné, é só inscrever-se na Casa do Oeste, em Ribamar da Lourinhã.
Bem hajam todos aqueles que exercem tão nobre acção.
LG.
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"É bom saber que existem movimentos que prestam uma significativa e importante ajuda aos povos necessitados......
No que se refere à Guiné, conheço sobretudo o trabalho desenvolvido pelas Missões nas áreas da saúde e educação e recentemente fui convidada a participar num grupo de ajuda para colaborar com uma dessas Missões....
É uma ajuda simples, pode até parecer insignificante, mas que, juntamente com as demais,fazem de simples gestos um contributo valioso para o crescimento e desenvolvimento das crianças guineenses.
É muito fácil, basta ser-se "Madrinha" ou "Padrinho" de uma criança e contribuir com uma quantia anual (que considero irrisória e por isso ao alcance de qualquer um).....
Caso se queira, pode-se ainda contribuir com mais alguma(s) lembrança(s), especialmente em épocas festivas, como por exemplo no aniversário da criança ou no Natal.
Isto é o suficiente para sabermos que estamos a contribuir para uma alimentação equilibrada daquelas crianças e para uma melhoria das condições do ensino que ali é levado a cabo pelas referidas Missões.....
E depois.....,pelas fotos que são enviadas aos padrinhos, dá gosto ver a felicidade estampada no rosto daquelas crianças que agora sabemos que têm livros para estudar, cadernos e lápis para escrever e que, diariamente, além de beberem leite, têm, garantidamente, duas refeições completas....
É muito gratificante....
Albertina Granja"

Uma foto que não tem preço e um pensamento que dá que pensar...

Do nosso companheiro Julio Garcia da CCAÇ 2314, recebemos esta foto e este pensamento:


" Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro se esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido."
  -  Dalai Lama-

Cartoon


Com a devida vénia ao Jornal Badaladas, transcrevemos o cartoon desta semana.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Outono e a amizade...


Bela época esta, o Outono, para mim a mais bela estação do ano.
E o Justo achou por bem comemorar a entrada deste tempo bonito, com um trabalho em que enaltece a amizade e o tempo outonal.
Muito oportuno.
Parabens Justo.
Como dizes:
AMIGOS NA GUERRA AMIGOS PARA SEMPRE!.
LG.

Chegou o Outono - ÀS 9:05 deste dia 23 de Setembro de 2011...

Dizem que a Primavera é a época do amor. Pode ser que sim... Os campos estão floridos, os pássaros chilreiam, mas... o Outono é especial. Existe algo de mais belo que um pôr-do-sol de Outono, quando os raios vermelhos, rosa, roxo e azul pincelam o horizonte, rivalizando com todos os grandes pintores?!
Passeio num bosque. Debaixo dos meus pés, as folhas estalam, provocando a fuga de pequenos animais que por ali saltitam. Olho em redor e fascino-me com os tons castanhos e dourados das folhas suspensas das árvores. Nos ramos, os esquilos mordiscam a sua refeição e uma coruja olha-me com os seus grandes olhos. Olho para o céu, em faixas de azul que as nuvens cinzentas deixam a descoberto, bandos de andorinhas voam à procura de terras mais quentes.
Ao longe oiço um ruído.
Aproximo-me: um riacho de águas transparentes saltita de pedra em pedra e os peixes prateados querem partilhar o meu deslumbramento...
Num bosque, no Outono, encontramos a paz, a harmonia, uma natureza embalada pelos primeiros ventos, pela primeira chuva miudinha que nos convida à meditação, ao reencontro, à amizade, ao amor ...
Neuza  Neto (texto de alunos do ciclo)



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O aniversário do Palma


Com dois dias de atraso, finalmente o almoço em honra das 66 primaveras do Palma.
Com dois dias de atraso, porque o nosso camarada, no dia em que passou o aniversário com a família, ao comer o arroz de lingueirão, uma destas espécies marítima, não lhe “assentou” lá muito bem!
É o que ele diz.
Na verdade, nenhum dos presentes que com ele partilhou tal “petisco” se sentiu indisposto dos intestinos.
Cá para nós, todos os que hoje com ele comeram o bacalhau au lagareiro no Pragal, como sempre bem regado (oh Justo não te preocupes porque nós enquanto conduzimos não bebemos. Paramos sempre), foram (são) da opinião, que tal indisposição se deveu à água-pé, ingerida um dia antes numa petiscada com o Contige, sendo que este também hoje, se apresentou “amarelado” e com o bigode mal aparado.
Bem, não interessa!
O nosso camarada hoje já se apresentou apto! A forma como deu ao dente foi visível para todos nós que a crise foi ultrapassada e que está pronto para outra! E tudo indica que a próxima seja em Espanha, mais propriamente na Calle Rinconá nº 35 – 21440 Lepe – Huelva Res.Lá Penha Flamenga. Local onde o Zé Manel, no próximo mês de Novembro, quer festejar connosco também as suas 66 primaveras. Olé
A propósito desta deslocação seria bom, para questões de organização, e para que ninguém fique melindrado, dissessem atempadamente quem está disposto a participar. O telemóvel do Zé Manel, é de todos conhecido.
Tenham um bom dia
Pica Sinos, e os demais na foto.
Referir ainda que o fotografo desta vez foi o Carlos Azevedo, por isso não é visível no retrato, temos pena!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Palmadas? Só se perderam as que cairam no chão...


                NO MEU QUINTAL NEM SÓ AS ROSAS
METIAM COBIÇA


No meu antigo Bairro das Furnas, a minha morada de casa, na sua frontaria, tinha um pequeno quintal que, para além de muitas flores, detinha duas árvores de fruta, um pessegueiro e uma macieira.
Quem o tratava e se preocupava por estar sempre arranjado e bonito, era a minha querida mãe, a D. Georgina.

Este meu quintal era separado por um corredor de ripado pintado de cor verde. Num dos lados, tinha plantado na sua extensão uma roseira. Brotava as chamadas rosas príncipe preto. As suas pétalas eram de um impressionante vermelho aveludado. Amiúde via a vizinhança a admirar a beleza de tais rosas e, o desejo de as possuir. O roseiral era de tal forma bonito e cobiçado que, foi determinado pela minha mãe, a proibição de arrancar as rosas por quem quer que fosse. Dizia, então…as minhas rosas são para nascer e morrer na roseira.

No outro lado do corredor, a acompanhar também o ripado na sua extensão, estava plantado jarros brancos. Minha mãe chamava-as de “flores de casamento”. Apareciam com a primavera, mas proliferavam sobretudo na estação Outono/inverno.
A D. Georgina costumava decorar a sala da entrada da minha casa com estas flores, e oferecer às vizinhas quando lhe pedissem.
De resto o quintal estava provido de alguns alvéolos/canteiros com amores-perfeitos de cor variada, cravos e crisântemos. E vasos com outros tipos de flores cujo nome desconhecia.

Se bem que gostasse de tudo no meu quintal, eram os jarros que me metiam grande cobiça. Sobretudo a espádice amarela que existia (existe), bem no meio da flor. Travesso, sempre que tinha a oportunidade, enfiava os dedos no fundo do “copo”, lá se ia o “filete”. Ficando eu, com os dedos pintados de amarelo, ocultando tal travessura (até um dia) aos olhares da minha mãe.

Em conclusão: Uma dada vez não me contentei a arrancar o “amarelo” de uma só flor. Apanhado, nem tive tempo sequer de esconder as mãos de algo ”pintadas”. A D. Georgina, do molho de jarros que arrancou, sem o “dito cujo”, não se fez rogada em o espatifar cá no rapaz, enquanto procurava eu, fugir a toda a velocidade do quintal.
Pica Sinos