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sábado, 1 de outubro de 2011

O DIA DO IDOSO

Hoje dia 1 de Outubro é odia internacional do idoso. Vejam lá....
Para assinalar este dia o Pica enviou-nos este texto, que publicamos com a devida vénia ao Jornal Publico e ao autor.

Memórias da juventude, pelo Pica Sinos

OS MENIMOS DO MEU BAIRRO
SABIAM ANDAR DE BICICLETA--IÔÔH
Era vermo-nos vaidosos e felizes por termos, mais uma vez, a oportunidade de andar de bicicleta. A alegria foi de tal forma que não deu para verificar que as horas passaram mais depressa.
Não sei se ainda existe, no Campo Grande (Lisboa), o espaço que era dedicado à rapaziada da minha geração visando ou proporcionando a aprendizagem e o uso das bicicletas. Assim como, não sei se ainda existe um outro espaço contínuo, reservado a mais velhos com vistas a aprender ou praticar o uso de motociclos.
Lembro que as bicicletas, na maior parte, eram velhas e apenas com um travão na roda traseira. Excepção para as que eram consideradas de corrida.
Os motociclos eram da marca Famel (entre outras marcas), predominando a pintura de cor prateada. Só eram cedidos a quem tivesse mais de 15 anos e deixasse como garantia o bilhete de identidade.
O aluguer das bicicletas, tinham, quando eu menino, valor diverso em função do modelo e do tempo de utilização. Alugar uma pequena bicicleta, no tempo de uma hora, pagava-se então 5 escudos. O aluguer das “aceleras” era bem mais caro. Que inveja e tristeza me faziam os “motoqueiros”, quando da sua passagem bem barulhenta.
O meu salário quando comecei a trabalhar, aos 11 anos, era cerca 2$50 por dia, dinheiro que no final da semana era entregue à minha mãe.
Como podia ter dinheiro para alugar, por uma hora, a bicicleta que tanto cobiçava?
Não era fácil. Só possível se juntado aos tostões das gorjetas, o dia de salário que minha mãe me dava, e ainda um ou outro centavo do troco que rapinava quando ia aos recados.
 No meu Bairro das Furnas, a esmagadora maioria dos moradores era de condição pobre. Nós, miúdos, brincávamos com os brinquedos que fabricávamos. Éramos muitos solidários. Facilmente trocávamos os brinquedos, os nossos carros de esferas. A bola de catechu que tinha saído nos “bonecos da bola”, era emprestada a todos quando em desafios. Cedíamos os bilhetes do eléctrico/autocarro repetidos na colecção, por vezes em troca de nada. Quem não tinha bilas, peão ou caricas, não deixava de jogar.
Um dia, um menino com dinheiro suficiente para alugar, durante uma hora, as tão cobiçadas bicicletas do Campo Grande, pela tarde, resolveu por pés a caminho, não só no propósito de alugar uma, mas também decidido a traçar um percurso para longe da pista que lhe estava normalmente reservada.
A chegada do menino ao bairro, foi de festa para todos aqueles que o esperavam. E um a um, deram uma voltinha pelo meu velho bairro.
Era vermo-nos vaidosos e felizes por termos, mais uma vez, a oportunidade de andar de bicicleta. A alegria foi de tal forma que não deu para verificar que as horas passaram mais depressa.
Aflito, o menino, procurou saber por todos os “ciclistas”, se havia dinheiro suficiente para cobrir a despesa, que o tempo extra acumulou. Todos ficaram calados. Não havia!
Então o menino, sem qualquer rebuço, propõe:
Malta, vamos esperar que o dono das bicicletas as recolha e abandone o local.
Depois é só colocar a bicicleta no devido lugar e pirar.
Dito e feito. Já noite, perto da pista vazou-se um pneu da bicicleta e, os 2 ou 3 meninos da aventura, deixaram o velocípede encostado numa qualquer árvore das muitas existentes no Campo Grande. Obviamente, que o tempo extra da posse nunca foi pago, até porque a bicicleta  “avariou”.
Pica Sinos
Fotos Gloog
Notas à margem e não só.
Estas memórias surgiram na conversa com o Carlos Leite (Reguila) no recente almoço em que festejámos o aniversário do Palma.
Não sei bem porquê, vieram as bicicletas à ”baila”. E eu disse que um dia iria escrever sobre as bicicletas que se alugavam no Campo Grande e, uma aventura vivida em miúdo.
Dizendo o Carlos: Pica, como eu recordo esse tempo, e o Campo Grande.
Adiantando:
Eu comecei a trabalhar em Lisboa, aos 12 anos de idade, na antiga Cervejaria Peninsular, praticamente a troco do que comia. Esta cervejaria ficava no inicio do Campo Grande e na sua frente, em redor da estátua, avistava a toda a hora o Mário policia a alugar as motas.
Era ainda muito miúdo mas, enquanto não me sentei naquelas “burras” não descansei.
O Mário era uma maravilha de homem. Nunca me cobrou qualquer importância por eu dar umas voltinhas no recinto que ocupava.
Pica Sinos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"A minha guerra" - pelo Pica Sinos, no Correio da Manhã.

Fugi de morteiros a perguntar ‘quem são eles?’

Quando cheguei à Guiné-Bissau não sabia nada da guerra. Foram tempos muito duros, mas percebi que o nosso lugar não era ali.

No dia 7 de Abril de 1967, no Aquartelamento de Artilharia Costa na Parede (Cascais), teve lugar a formação e a entrega do guião ao Batalhão de Artilharia 1914, composto por três companhias operacionais e uma de comando e serviços. Embarcámos para a Guiné no dia seguinte. No cais de Alcântara despeço-me da família, que me acompanhou ao embarque. Ao som da fanfarra militar e do acenar dos lenços, o paquete ‘Uíge’ larga as amarras.

Chegámos à Guiné-Bissau a 14 do mesmo mês. À nossa esquerda, pelo lusco-fusco, avistámos a cidade – Bissau – cujo chão não tivemos o prazer de pisar. O desembarque para as lanchas aconteceu horas depois, não sabendo os jovens guerreiros o seu destino.

Chegámos já noite ao Enxudé, porto de mar situado a cerca de 10 quilómetros do quartel, onde esta nova Companhia de Comandos e Serviços viria a ficar situada. Fomos transportados e guardados por homens armados de semblante carregado e ‘velho’, mas com apenas mais dois anos de idade.

Uma hora depois chegámos a Tite, um dos principais aglomerados populacionais. Ficava no mato, a sul desta então província ultramarina, na região de Quinará. Tite foi a localidade onde, em Janeiro de 1963, Amílcar Cabral, fundador do PAIGC, principiou as acções de guerrilha contra as tropas portuguesas. Mas todos sabíamos que o pior estava para vir… a guerra.

FUGIR AOS MORTEIROS
Quando fui mobilizado, uma vez que não era operacional, não assisti a treinos de enquadramento, que duravam mais ou menos um mês. Ou seja, de aperfeiçoamento operacional só tinha a recruta, estando longe de imaginar o que ia encontrar.

A minha ignorância era tamanha que no primeiro ataque ao quartel que sofremos, a 19 de Julho de 1967, estava a comer um petisco ‘importado’ de Lisboa, perante o som dos morteiros a serem disparados, parecido com os das portas dos frigoríficos a fecharem-se. Vi os mais velhos a levantarem-se como se tivessem molas nos pés, deixando tudo para trás numa correria desenfreada, gritando "Aí estão eles!". Eu corri na peugada dos meus camaradas, mas não deixava de perguntar: "Quem são eles?".

Era o início do nosso calvário. Entre 14 de Abril 1967 e 3 de Março de 1969 sofremos 12 flagelações. Nesse período tivemos 16 mortos (dois deles por acidente) e 47 feridos.

O inimigo actuava na região de Tite com grande mobilidade, era conhecedor do terreno com pormenor. Estava organizado militar, política e administrativamente e com o apoio das populações, era forte, aguerrido e dispunha de um potencial de meios de guerra igual, se não superior, aos do Batalhão. Exercia também uma actividade importante no controlo das populações e na sua promoção social.

Um dia, na palhota da minha lavadeira, estava uma mulher que nunca antes avistara. Ao mostrar-lhe uma fotografia, onde estava com a minha namorada, perguntou-me fixando bem a minha face: "Qual é a razão da vossa presença neste país?" "Estamos aqui para vos defender", disse convicto. Não ficou satisfeita. Com os olhos rasos de água, retorquiu: "Já pensaste que se não vos mandassem para cá, não existia esta guerra, que os nossos rapazes não eram forçados a combater-vos, que os nossos haveres e produtos agrícolas não eram roubados, quer por uns quer por outros?". Esta conversa fez-me ‘ver’ o outro lado da moeda.

Regressámos a Lisboa na manhã de 9 de Março de 1969. Fomos recebidos com muita emoção por familiares e amigos e só então pudemos respirar fundo e dizer "já passou..."

PERFIL
Nome: Raul Pica Sinos
Comissão: Guiné (1967/69)
Força: Batalhão de Artilharia 1914
Actualidade: Reformado do sector da distribuição alimentar, vive em Corroios. Aos 65 anos, tem duas filhas e três netos
___________________ 
Com a devida vénia ao Correio da Manhã, transcrevemos esta crónica escrita pelo nosso colega Pica Sinos e que veio inserida na revista DOMINGO, de 25 de Setembro de 2011.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Outono e a amizade...


Bela época esta, o Outono, para mim a mais bela estação do ano.
E o Justo achou por bem comemorar a entrada deste tempo bonito, com um trabalho em que enaltece a amizade e o tempo outonal.
Muito oportuno.
Parabens Justo.
Como dizes:
AMIGOS NA GUERRA AMIGOS PARA SEMPRE!.
LG.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Palmadas? Só se perderam as que cairam no chão...


                NO MEU QUINTAL NEM SÓ AS ROSAS
METIAM COBIÇA


No meu antigo Bairro das Furnas, a minha morada de casa, na sua frontaria, tinha um pequeno quintal que, para além de muitas flores, detinha duas árvores de fruta, um pessegueiro e uma macieira.
Quem o tratava e se preocupava por estar sempre arranjado e bonito, era a minha querida mãe, a D. Georgina.

Este meu quintal era separado por um corredor de ripado pintado de cor verde. Num dos lados, tinha plantado na sua extensão uma roseira. Brotava as chamadas rosas príncipe preto. As suas pétalas eram de um impressionante vermelho aveludado. Amiúde via a vizinhança a admirar a beleza de tais rosas e, o desejo de as possuir. O roseiral era de tal forma bonito e cobiçado que, foi determinado pela minha mãe, a proibição de arrancar as rosas por quem quer que fosse. Dizia, então…as minhas rosas são para nascer e morrer na roseira.

No outro lado do corredor, a acompanhar também o ripado na sua extensão, estava plantado jarros brancos. Minha mãe chamava-as de “flores de casamento”. Apareciam com a primavera, mas proliferavam sobretudo na estação Outono/inverno.
A D. Georgina costumava decorar a sala da entrada da minha casa com estas flores, e oferecer às vizinhas quando lhe pedissem.
De resto o quintal estava provido de alguns alvéolos/canteiros com amores-perfeitos de cor variada, cravos e crisântemos. E vasos com outros tipos de flores cujo nome desconhecia.

Se bem que gostasse de tudo no meu quintal, eram os jarros que me metiam grande cobiça. Sobretudo a espádice amarela que existia (existe), bem no meio da flor. Travesso, sempre que tinha a oportunidade, enfiava os dedos no fundo do “copo”, lá se ia o “filete”. Ficando eu, com os dedos pintados de amarelo, ocultando tal travessura (até um dia) aos olhares da minha mãe.

Em conclusão: Uma dada vez não me contentei a arrancar o “amarelo” de uma só flor. Apanhado, nem tive tempo sequer de esconder as mãos de algo ”pintadas”. A D. Georgina, do molho de jarros que arrancou, sem o “dito cujo”, não se fez rogada em o espatifar cá no rapaz, enquanto procurava eu, fugir a toda a velocidade do quintal.
Pica Sinos

sábado, 27 de agosto de 2011

Fado - pelo Pica Sinos


Vais  ganhar uns minutos
A ouvir estes 2 grandes desaparecidos
Mas não esquecidos.
Estes 2 homens cantam primorosamente Lisboa

Pica Sinos